QUEM CUIDARÁ DOS SEUS PAIS NA VELHICE?
A velhice não pede luxo pede presença. Pede paciência, escuta, respeito e amor traduzido em gestos simples: uma visita, uma ligação, um acompanhamento ao médico, um olhar atento

Por Jaime Folle
22/01/2026 16h44

Essa pergunta, aparentemente simples, carrega um peso profundo e muitas vezes desconfortável. Em meio à correria da vida, aos compromissos profissionais, aos sonhos pessoais e às urgências do presente, raramente paramos para refletir sobre o futuro daqueles que um dia cuidaram de nós com tanto zelo.

Nossos pais foram nossos primeiros professores. Ensinaram-nos a andar, a falar, a cair e a levantar. Renunciaram a tempo, conforto e, muitas vezes, a sonhos próprios para garantir que tivéssemos oportunidades melhores. No entanto, o tempo passa para todos. A força diminui, a saúde exige mais atenção e a solidão pode se tornar uma presença silenciosa e dolorosa.

A velhice não pede luxo; pede presença. Pede paciência, escuta, respeito e amor traduzido em gestos simples: uma visita, uma ligação, um acompanhamento ao médico, um olhar atento. Cuidar dos pais não é apenas uma obrigação moral ou familiar, mas um ato de gratidão e humanidade. É reconhecer que a vida é um ciclo e que, assim como fomos amparados, também somos chamados a amparar.

Infelizmente, vivemos numa sociedade que valoriza o novo, o rápido e o produtivo, que tende a deixar invisível os idosos. Transferimos responsabilidades, terceirizamos afetos e, sem perceber, deixamos que o tempo roube momentos que não voltam. Nenhuma justificativa profissional ou financeira substitui o valor da presença sincera.

A pergunta é: “quem cuidará dos seus pais na velhice?” é, na verdade, um convite à consciência. Ela nos provoca a planejar, dialogar em família e, principalmente, a assumir responsabilidades antes que seja tarde. O cuidado não começa apenas quando a fragilidade chega; ele se constrói ao longo da vida, no vínculo, no respeito e no amor cultivado diariamente. Ou a decisão final é coloca-los em um abrigo de idosos jogados aos cuidados de terceiros longe de que mais eles necessitam, a presença dos filhos e do afeto familiar.

Cuidar dos pais é também cuidar de nós mesmos, pois revela quem somos e quais valores desejamos deixar como herança. Afinal, um dia, seremos nós a esperar cuidado, atenção e dignidade. Que nossas escolhas de hoje sejam a resposta que gostaríamos de receber amanhã.

Até a próxima.

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