ESCOLA X FAMÍLIA OS PAPÉIS SE INVERTERAM
para a escola. E o que deveria ser missão da escola, muitas vezes, acaba sendo cobrado da família sem o devido suporte e conhecimento

Por Jaime Folle
22/04/2026 17h15

A família, historicamente, sempre foi o primeiro espaço de formação do indivíduo. É nela que se educam os filhos e que se aprendem valores, limites, respeito, empatia e convivência. A escola, por sua vez, entraria como um complemento fundamental de ensinar as bases do conhecimento preparando para o trabalho e a vida em sociedade.

No entanto, o que temos visto é um deslocamento silencioso, porém profundo. A escola vem sendo chamada de educadora no sentido mais amplo, fazendo aquilo que a família não faz e passou a responsabilidade para a escola, desse o trocar de fraldas, o ensinar limites, corrigir comportamentos, formar caráter, tudo isso hoje é feito por professores e outros profissionais nas escolas enquanto muitas famílias, por diferentes razões, têm se afastado desse papel estruturante. Ao mesmo tempo, há uma crescente expectativa de que a escola resolva questões que nascem fora de seus muros.

Isso tudo é, ao mesmo tempo, preocupante em que os papéis tradicionais entre escola e família se inverteram. Aquilo que antes era essencialmente responsabilidade do núcleo familiar tem sido, cada vez mais, transferido para a escola. E o que deveria ser missão da escola, muitas vezes, acaba sendo cobrado da família sem o devido suporte e conhecimento.

Isso tem gerado um desequilíbrio perigoso. Professores sobrecarregados, instituições pressionadas e alunos confusos sobre referências de autoridade e responsabilidade. Quando não há clareza de papéis, quem perde é o processo educativo como um todo especificamente as crianças que não tem culpa.

Não se trata de apontar culpados, mas de provocar uma reflexão urgente. Escola e família não são adversárias são parceiras. E, como em toda parceria, é preciso alinhamento, diálogo e corresponsabilidade. A reconstrução desse equilíbrio passa, necessariamente, por um reposicionamento. Famílias precisam reassumir seu papel formador e educador, estando mais presentes de seus filhos, participativas e conscientes de sua influência. Escolas, por sua vez, devem fortalecer sua missão pedagógica de ensinar, sem abrir mão de colaborar na formação integral das crianças. mas sem substituir aquilo que não lhes cabe.

Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja ensinar mais conteúdo, mas reconstruir essa ponte entre escola e família, seria um novo casamento, antes que os processos inversos se tornem irreversíveis para o futuro e o pior com aval e apoio dos poderes públicos.

Até a próxima.

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