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Festival Brasa e Prosa movimenta R$ 300 mil na economia de Estrela |
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| Estimativa reúne vendas na agricultura familiar, artesanato e pequenos negócios, além de compras locais, hotelaria e gastronomia | |
Mais do que reunir gastronomia, cultura e entretenimento, o Festival Brasa e Prosa deixou um resultado mensurável na economia municipal, após sua realização entre os dias 14 a 16 de agosto. A estimativa é de que a programação tenha movimentado cerca de R$ 300 mil em recursos diretos, deixados no município, distribuídos entre vendas dos expositores, aquisição de insumos, hospedagem, alimentação e consumo no comércio local. Somente entre os participantes da Agricultura Familiar, o faturamento médio ficou entre R$ 3 mil e R$ 4 mil por expositor durante o sábado e o domingo. Entre artesãos e microempreendedores participantes da Feira MEI, a média chegou a aproximadamente R$ 2 mil no período, ou R$ 1 mil por dia. A dimensão do consumo também aparece na gastronomia: mais de 10 mil refeições foram servidas durante o festival, com a totalidade dos alimentos utilizados na programação adquirida no comércio local.
A movimentação, no entanto, começou antes da abertura das atividades no parque. O jantar beneficente realizado na quinta-feira, 13, mobilizou fornecedores e consumo, enquanto o Seminário de Turismo, na sexta-feira, dia 14, trouxe público de outros municípios e ampliou a demanda por hospedagem, restaurantes e serviços. Para a prefeita Carine Schwingel, os números ajudam a demonstrar que eventos temáticos precisam ser compreendidos também como instrumentos de desenvolvimento econômico. “Quando conseguimos trazer pessoas para Estrela e, ao mesmo tempo, envolver nossos produtores, empreendedores e comércio, o recurso circula dentro do município. O evento deixa de ser apenas uma programação de lazer e passa a gerar renda, oportunidades e negócios. É esse retorno que justifica uma estratégia permanente de fortalecimento do turismo de eventos”, avalia.
O resultado do Brasa e Prosa reforça uma linha que o Município vem adotando para ampliar a circulação de visitantes e transformar eventos em consumo nos diferentes segmentos da economia. Em maio, Estrela recebeu o Paleta Atlântida; em agosto, o Brasa e Prosa mobilizou diretamente agricultura familiar, comércio, serviços, gastronomia e hotelaria; e, em outubro, o Porto de Estrela receberá o 1º Festival de Balonismo e Manobras Radicais, programado para os dias 10 a 12 e 16 a 18. A estrutura terá voos de balão, Night Glow, shows, manobras radicais, praça de alimentação, feira comercial e de artesanato e outras atrações capazes de prolongar a permanência do visitante e estimular novas frentes de consumo. “A lógica, portanto, é trabalhar uma agenda de experiências que distribua movimento econômico ao longo do ano, em vez de concentrá-lo em uma única programação”, complementa a chefe do Executivo estrelense.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agronegócio, Marcelo Sulzbach, o desempenho do festival evidencia justamente esse efeito de encadeamento, pois o segmento turismo movimenta vários setores da economia local. “Quando um agricultor familiar vende, quando um MEI comercializa seu produto, quando o restaurante recebe mais clientes, o hotel hospeda visitantes e o mercado fornece os alimentos utilizados no evento, estamos falando de uma cadeia econômica inteira sendo ativada. Os R$ 300 mil são uma referência concreta desse movimento”, observa. Segundo Sulzbach, a estratégia é fazer com que cada grande evento gere oportunidades além de seus limites físicos e de sua duração. “O turismo de eventos tem capacidade de trazer dinheiro novo para o município e fazer esse recurso circular entre diferentes atividades. O desafio é construir eventos que tenham identidade, atraiam público e, ao mesmo tempo, estejam conectados à produção e aos negócios locais”, acrescenta o secretário.
Linguiça Estrela ganha mercado regional
Um dos resultados econômicos do Brasa e Prosa já ultrapassou os dias do festival. Desenvolvida pelo chef Edi Dagrê, a receita da Linguiça Estrela foi registrada e cedida ao Frigorífico Hammes, responsável pela produção do produto apresentado durante a competição gastronômica. Criada para que Estrela tivesse uma receita própria e identificada com o município, a linguiça ganhou protagonismo no evento e passou a ser mantida pelo frigorífico em sua linha de fabricação e comercialização.
A visibilidade conquistada durante o festival abriu agora um novo mercado para o produto. A Rede de Supermercados Müller, de Santa Cruz do Sul, fechou contrato com o Frigorífico Hammes para a compra de 500 quilos semanais da Linguiça Estrela, que serão comercializados nas lojas da rede em Santa Cruz do Sul e Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo. O negócio dá escala regional a um produto apresentado ao público durante o Brasa e Prosa e transforma a exposição proporcionada pelo evento em uma relação co mercial permanente.
O contrato também amplia o impacto do festival sobre o agronegócio. Ao gerar demanda continuada para uma indústria local de alimentos, a Linguiça Estrela passa a movimentar uma cadeia que envolve processamento, matéria-prima, produção, logística e varejo. “A Linguiça Estrela é mais do que um produto gastronômico criado para uma competição, tornando-se, assim, um exemplo concreto da capacidade de um evento temático de abrir mercados e gerar efeitos econômicos que permanecem depois que a programação termina”, resume a prefeita de Estrela, Carine Schwingel.

