Palestra apresenta estudo sobre o custo do trabalhador e os impactos dos encargos na folha
Estudo aponta que, para um trabalhador com salário nominal de R$ 1.621, o custo total estimado para o empregador chega a R$ 2.929,77, enquanto o salário líquido fica em R$ 1.499,43

Por Simone Rockenbach
24/09/2026 15h21

A relação entre o salário recebido pelo trabalhador e o custo efetivamente assumido pelas empresas foi o tema central da palestra realizada nesta quarta-feira (23), na CDL Lajeado. O encontro contou com a abertura da presidente da entidade, Giselda Hahn, e teve como palestrante Oscar Frank, economista-chefe da CDL Porto Alegre, que apresentou um estudo com estimativas e considerações do custo do trabalhador celetista no Brasil, desenvolvido pela Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre.

Ao longo da programação com empresários, Frank detalhou os diferentes componentes que integram o custo da mão de obra, incluindo encargos trabalhistas, tributários, provisões e reincidências. O estudo considerou quatro faixas de remuneração, partindo do salário mínimo de R$ 1.621,00, tendo como objetivo dimensionar a distância entre o rendimento líquido recebido pelo trabalhador e o custo total para o empregador.

“A ideia é conscientizar os empresários a respeito de todos os encargos que existem sobre a folha e também os próprios trabalhadores, que muitas vezes acabam reclamando das suas remunerações. Sendo assim, que todos possam medir qual é a distância entre aquilo que o trabalhador custa para a empresa e o seu salário efetivo no final do mês.”, explicou Oscar Frank.

Entre os dados explanados, o estudo aponta que, para um trabalhador com salário nominal de R$ 1.621, o custo total estimado para o empregador chega a R$ 2.929,77, enquanto o salário líquido fica em R$ 1.499,43. Nesse cenário, o rendimento líquido representa 51,2% do custo total da empresa.

Impactos sobre emprego e formalização

Outro ponto abordado por Frank foi o impacto dos encargos sobre o mercado de trabalho. Com base em um modelo econômico utilizado no estudo, foi simulada uma redução de 10 pontos percentuais nos encargos sobre a folha. O exercício aponta potencial aumento de 365,2 mil empregos e 727,1 mil trabalhadores formalizados no Brasil, equivalentes a impactos de 0,33 e 0,84 ponto percentual, respectivamente. No Rio Grande do Sul, a mesma simulação indica impacto estimado de 21,9 mil novos empregos e 45,5 mil formalizações.

A apresentação também abordou os conceitos de cunha tributária, definida no estudo como a diferença entre o que a empresa gasta e aquilo que o trabalhador reconhece como seu, considerando salário, direitos, benefícios e custos relacionados à gestão e ao cumprimento das obrigações.

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