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COLUNISTA |
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ADVOCACIA PREVENTIVA - O desastre não precisa acontecer. |
JACK WELCH e SUZY WELCH, no livro O MBA da Vida Real (2023), fizeram uma observação que deveria incomodar qualquer gestor:
“Agarrar-se à arquitetura social desatualizada não é algo malévolo. Mas ainda acontece. É um hábito histórico dos dias em que o advogado semiaposentado ou o contador, já velho, encarregado da gestão de riscos, comentava algumas vezes por ano com a auditoria da empresa e dava uma olhada no pessoal.”.
E complementam:
“O desastre não precisava acontecer para que as empresas examinem quem se reporta a quem e com que frequência.”.
Esse alerta não é teórico.
Ele descreve exatamente o que ainda ocorre em muitas empresas: o jurídico distante da decisão, o risco tratado como evento esporádico e a mudança só depois da crise.
1) O problema não é jurídico. É estrutural.
O passivo jurídico raramente nasce no processo.
Ele nasce na decisão mal tomada, no procedimento mal desenhado, no contrato mal estruturado, na ausência de orientação no momento certo.
Quando o jurídico é chamado apenas depois do problema, a empresa está operando em um modelo reativo.
Esse modelo é o que WELCH chama, na prática, de arquitetura social desatualizada: lenta, distante da operação e incapaz de antecipar riscos reais.
2) Gestão de riscos não é evento. É fluxo vivo.
No ambiente atual, gestão de riscos não pode ser:
- anual
- burocrática
- isolada da operação
- acionada só após o dano
Ela precisa ser:
✅ contínua
✅ integrada às decisões
✅ próxima da liderança
✅ conectada aos processos reais
O alerta de WELCH é claro: não é preciso esperar o desastre para revisar quem decide, quem participa e com que frequência.
3) A advocacia preventiva como resposta moderna
É aqui que a advocacia preventiva se encaixa de forma natural.
Advocacia preventiva não é “evitar processo” (e não se está falando aqui em processo judicial, registre-se)
É inteligência jurídica aplicada à decisão empresarial.
Na prática, ela:
- entra antes da decisão sensível;
- traduz risco jurídico em critério de gestão;
- ajusta processos antes que gerem passivos;
- aproxima jurídico da operação e da estratégia; e
- transforma prevenção em método, não em discurso.
👉 O advogado preventivo não aparece no pós-crise.
👉 Ele atua no pré-decisão.
4) O ganho real para o gestor
Quando o jurídico passa a integrar a arquitetura decisória, a empresa:
- decide melhor;
- decide mais rápido;
- erra menos;
- reduz custos ocultos;
- protege reputação;
- ganha previsibilidade; e
- sai do “apagar incêndios” para desenhar o sistema que evita o incêndio
Essa é, no fundo, a tradução prática do alerta de JACK WELCH para o mundo jurídico-empresarial atual.
E este alerta foi feito em 2023.
5) Pergunta de diagnóstico
Na sua empresa, o jurídico entra:
- depois do problema, ou
- antes da decisão sensível?
Se for a primeira opção, não é azar.
É arquitetura social desatualizada.
André Roberto Mallmann - Sócio Advogado na Bassegio e Mallmann Advogados Associados S/C | Consultoria Jurídica
JACK WELCH, arquitetura social e a virada da advocacia preventiva
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