COLUNISTA
ADVOCACIA PREVENTIVA - O desastre não precisa acontecer.
   

Por André Roberto Mallmann
18/02/2026 16h33

JACK WELCH e SUZY WELCH, no livro O MBA da Vida Real (2023), fizeram uma observação que deveria incomodar qualquer gestor: 
“Agarrar-se à arquitetura social desatualizada não é algo malévolo. Mas ainda acontece. É um hábito histórico dos dias em que o advogado semiaposentado ou o contador, já velho, encarregado da gestão de riscos, comentava algumas vezes por ano com a auditoria da empresa e dava uma olhada no pessoal.”. 
E complementam: 
“O desastre não precisava acontecer para que as empresas examinem quem se reporta a quem e com que frequência.”. 
Esse alerta não é teórico. 
Ele descreve exatamente o que ainda ocorre em muitas empresas: o jurídico distante da decisão, o risco tratado como evento esporádico e a mudança só depois da crise. 
1) O problema não é jurídico. É estrutural. 
O passivo jurídico raramente nasce no processo. 
Ele nasce na decisão mal tomada, no procedimento mal desenhado, no contrato mal estruturado, na ausência de orientação no momento certo. 
Quando o jurídico é chamado apenas depois do problema, a empresa está operando em um modelo reativo. 
Esse modelo é o que WELCH chama, na prática, de arquitetura social desatualizada: lenta, distante da operação e incapaz de antecipar riscos reais. 
2) Gestão de riscos não é evento. É fluxo vivo. 
No ambiente atual, gestão de riscos não pode ser: 
- anual 
- burocrática 
- isolada da operação 
- acionada só após o dano 
Ela precisa ser: 
✅ contínua 
✅ integrada às decisões 
✅ próxima da liderança 
✅ conectada aos processos reais 
O alerta de WELCH é claro: não é preciso esperar o desastre para revisar quem decide, quem participa e com que frequência. 
3) A advocacia preventiva como resposta moderna 
É aqui que a advocacia preventiva se encaixa de forma natural. 
Advocacia preventiva não é “evitar processo” (e não se está falando aqui em processo judicial, registre-se) 
É inteligência jurídica aplicada à decisão empresarial. 
Na prática, ela: 
- entra antes da decisão sensível; 
- traduz risco jurídico em critério de gestão; 
- ajusta processos antes que gerem passivos; 
- aproxima jurídico da operação e da estratégia; e 
- transforma prevenção em método, não em discurso. 
👉 O advogado preventivo não aparece no pós-crise. 
👉 Ele atua no pré-decisão. 
4) O ganho real para o gestor 
Quando o jurídico passa a integrar a arquitetura decisória, a empresa: 
- decide melhor; 
- decide mais rápido; 
- erra menos; 
- reduz custos ocultos; 
- protege reputação; 
- ganha previsibilidade; e 
- sai do “apagar incêndios” para desenhar o sistema que evita o incêndio 
Essa é, no fundo, a tradução prática do alerta de JACK WELCH para o mundo jurídico-empresarial atual. 
E este alerta foi feito em 2023. 
5) Pergunta de diagnóstico 
Na sua empresa, o jurídico entra: 
- depois do problema, ou 
- antes da decisão sensível? 
Se for a primeira opção, não é azar. 
É arquitetura social desatualizada.

 

André Roberto Mallmann - Sócio Advogado na Bassegio e Mallmann Advogados Associados S/C | Consultoria Jurídica 

JACK WELCH, arquitetura social e a virada da advocacia preventiva 

   

  

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