COLUNISTA
MÃE: UM ANJO OU UMA ONÇA
   

Por Jaime Folle
07/05/2026 16h33

 

Dizem que toda mãe é um anjo. Mentira. Algumas são onças em modo econômico, só esperando alguém mexer com o filhote para ativar o “pacote completo: garras e olhar mortal”. No dia a dia, ela está lá, tranquila, perguntando ao filho se já comeu, se levou casaco, se escovou os dentes. Voz suave, quase trilha sonora de comercial de margarina. Mas basta alguém falar algo fora do normal sobre o “seu filho” que a pupila dilata e o modo onça está ativado.

Veja este manual prático (e altamente arriscado) de como fazer uma mãe sair da condição de anjo e virar uma onça, edição comemorativa para o Dia das Mães: não tente isso em casa (a menos que queira emoções fortes).

Passo 1: critique o filho dela. Mas não critique qualquer coisa. Escolha algo bem sutil, tipo: “Ah, ele não é muito esperto, né?” Pronto. Nesse momento, a mãe levanta lentamente a cabeça. O sorriso congela. O clima muda. Você ouve, ao fundo, um tambor tribal imaginário. A onça abriu um olho.

Passo 2: compare o seu com outro filho. “Porque o filho da vizinha tira só 10…”
Excelente! Agora você não só cutucou com vara curta. A mãe onça, já está em posição de ataque, pronta para explicar que o filho dela pode até não tirar 10, mas tem “inteligência emocional, criatividade e futuro promissor”. Dica: corra imediatamente do local.

Passo 3: dê pitaco na educação para o filho dela. “Se fosse meu filho…” Não termine a frase. Não dá tempo. A transformação acontece ali mesmo. A mãe respira fundo, ajeita a postura e vira especialista em tudo: pedagogia, psicologia, nutrição e defesa pessoal verbal e se prepare para meia hora de explicações.

Passo 4: faça cara feia para o filho dela. Nem precisa falar nada. Só aquele olhar de julgamento já é suficiente. A mãe capta em 4K, com zoom emocional. “Tá olhando o quê?” E você percebe que entrou num território que nem o GPS waze salva.

Passo 5 (nível avançado): encoste no filho. Não precisa ser nada demais. Um empurrãozinho, uma brincadeira mais bruta… pronto. Agora não é mais uma onça — é uma onça com pós-graduação em proteção de filhote. A velocidade de reação desafia as leis da física.

O mais impressionante é o final. Depois de tudo, depois do rugido, do olhar fulminante e do sermão que poderia virar podcast, ela vira para o filho e fala:
“Amor, quer um lanchinho?” E está tudo bem. Céu azul, pássaros cantando, paz restaurada. E ainda te convida para tomar um chá.

Moral da história: mãe é um ser evoluído. Vem com o modo carinho ativado por padrão… mas com um botão secreto escrito: “mexeu com meu filho = liberou a onça”.
E olha… esse botão não trava nunca. Foi só uma brincadeira para a pessoa mais importante da terra chamada MÃE.

Até a próxima.

   

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