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COLUNISTA |
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VAMOS BRINCAR DE TELEFONE SEM FIO? |
| O mundo muda tão rapidamente que aquilo que foi comum para nós pode ser completamente desconhecido para quem está chegando |
A professora olha para a turma e propõe:
— “Vamos brincar de telefone sem fio?”
Um aluno, com a maior naturalidade do mundo, pergunta:
— “Mas, professora… existe telefone com fio?”
A sala provavelmente caiu na risada. Mas aquela pergunta simples esconde uma grande reflexão sobre o mundo em que estamos vivendo. Para aquela criança, telefone com fio não é uma lembrança. Não é uma experiência. É praticamente uma peça de museu. Ela nasceu em um mundo onde o telefone não está preso à parede, não precisa de disco para fazer uma ligação e não serve apenas para falar.
Hoje, um celular fotografa, filma, grava, calcula, pesquisa, paga contas, transmite notícias, ensina, diverte e permite conversar instantaneamente com alguém que está do outro lado do planeta.
Os mais velhos, porém, conhecem outro mundo. Conhecem o telefone que ficava em um canto da casa. Para fazer uma ligação, era preciso estar perto dele. Conhecemos cartas que demoravam dias para chegar, fotografias que precisavam ser reveladas, filmes em rolo, discos, fitas cassete, enciclopédias e televisão com poucos canais.
E aqui está o ponto mais importante: não podemos exigir que nossos filhos e netos sintam saudade daquilo que nunca viveram e nem os professores podem exigir de seus alunos o que eles também não conheceram. Talvez o grande desafio dos adultos de hoje seja justamente esse: ensinar às novas gerações a olhar para frente sem desprezar aquilo que ficou para trás.
Porque o mundo que conhecemos mudou. E continuará mudando. A criança que perguntou se existia telefone com fio provavelmente ainda fará perguntas a seus professores sobre muitas coisas que hoje consideramos absolutamente normais. E talvez, daqui a alguns anos, ela também conte para seus filhos:
— “No meu tempo, a gente usava celular para isso…” O tempo passa. A tecnologia avança. Os objetos desaparecem. Mas as histórias que contamos permanecem. Por isso, antes de rir da pergunta daquela criança, talvez devêssemos agradecer.
Ela acabou de nos lembrar que o mundo muda tão rapidamente que aquilo que foi comum para nós pode ser completamente desconhecido para quem está chegando.
As crianças de hoje não conhecem o mundo que conhecemos no passado.
Até a próxima
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