COLUNISTA
ADVOCACIA PREVENTIVA: o desastre não precisa acontecer
   
JACK WELCH, arquitetura social e a virada da advocacia preventiva

Por André Roberto Mallmann
23/02/2026 16h48

JACK WELCH e SUZY WELCH, no livro O MBA da Vida Real (2023), fizeram uma observação que deveria incomodar qualquer gestor:  “Agarrar-se à arquitetura social desatualizada não é algo malévolo. Mas ainda acontece. É um hábito histórico dos dias em que o advogado semiaposentado ou o contador, já velho, encarregado da gestão de riscos, comentava algumas vezes por ano com a auditoria da empresa e dava uma olhada no pessoal.”.

E complementam: “O desastre não precisava acontecer para que as empresas examinem quem se reporta a quem e com que frequência.”.

Esse alerta não é teórico.

Ele descreve exatamente o que ainda ocorre em muitas empresas: o jurídico distante da decisão, o risco tratado como evento esporádico e a mudança só depois da crise.

1) O problema não é jurídico. É estrutural.

O passivo jurídico raramente nasce no processo. Ele nasce na decisão mal tomada, no procedimento mal desenhado, no contrato mal estruturado, na ausência de orientação no momento certo.

Quando o jurídico é chamado apenas depois do problema, a empresa está operando em um modelo reativo.

Esse modelo é o que WELCH chama, na prática, de arquitetura social desatualizada: lenta, distante da operação e incapaz de antecipar riscos reais.

2) Gestão de riscos não é evento. É fluxo vivo.

No ambiente atual, gestão de riscos não pode ser:

- anual

- burocrática

- isolada da operação

- acionada só após o dano.

Ela precisa ser:

✅ contínua

✅ integrada às decisões

✅ próxima da liderança

✅ conectada aos processos reais.

O alerta de WELCH é claro: não é preciso esperar o desastre para revisar quem decide, quem participa e com que frequência.

3) A advocacia preventiva como resposta moderna

É aqui que a advocacia preventiva se encaixa de forma natural.

Advocacia preventiva não é “evitar processo” (e não se está falando aqui em processo judicial, registre-se)

É inteligência jurídica aplicada à decisão empresarial.

Na prática, ela:

- entra antes da decisão sensível;

- traduz risco jurídico em critério de gestão;

- ajusta processos antes que gerem passivos;

- aproxima jurídico da operação e da estratégia; e

- transforma prevenção em método, não em discurso.

O advogado preventivo não aparece no pós-crise.

Ele atua no pré-decisão.

4) O ganho real para o gestor

Quando o jurídico passa a integrar a arquitetura decisória, a empresa:

- decide melhor;

- decide mais rápido;

- erra menos;

- reduz custos ocultos;

- protege reputação;

- ganha previsibilidade; e

- sai do “apagar incêndios” para desenhar o sistema que evita o incêndio

Essa é, no fundo, a tradução prática do alerta de JACK WELCH para o mundo jurídico-empresarial atual.

E este alerta foi feito em 2023.

5) Pergunta de diagnóstico

Na sua empresa, o jurídico entra:

- depois do problema, ou

- antes da decisão sensível?

Se for a primeira opção, não é azar.

É arquitetura social desatualizada.

   

  

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