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COLUNISTA |
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O VÍCIO DE RECLAMAR |
| Quem reclama sente-se lúcido, crítico, atento. Mas, na prática, muitas vezes é apenas alguém que trocou a responsabilidade pela crítica constante. Reclamar dá a sensação de participação, de superioridade, mas não produz transformação. |
Reclamar virou hábito. E, como todo hábito repetido sem consciência, transforma-se em vício. Um vício socialmente aceito, estimulado em rodas de conversa, nas empresas, nas famílias e, principalmente, nas redes sociais. Reclama-se do governo, do clima, do chefe, do salário, do trânsito, da geração mais nova, da geração mais velha. Reclama-se tanto que já não se percebe o quanto isso corrói por dentro.
O vício de reclamar cria uma perigosa ilusão de superioridade moral. Quem reclama sente-se lúcido, crítico, atento. Mas, na prática, muitas vezes é apenas alguém que trocou a responsabilidade pela crítica constante. Reclamar dá a sensação de participação, de superioridade, mas não produz transformação. É um desabafo que anestesia a consciência e adia a ação.
Ambientes dominados por reclamões tornam-se pesados. A energia cai. A criatividade desaparece. A confiança se esvai. Empresas deixam de inovar. Famílias perdem a harmonia. Líderes perdem autoridade. Porque a reclamação contínua enfraquece o espírito coletivo e instala a cultura da culpa, que sempre é do outro, nunca é minha.
O problema não é apontar falhas. O problema é parar nisso. Crítica sem proposta é ruído. Indignação sem atitude é teatro. O verdadeiro amadurecimento começa quando trocamos a pergunta “Quem errou?” por “O que eu posso fazer para melhorar?”.
Se algo está errado, envolva-se. Se está difícil, prepare-se. Se está injusto, lute com maturidade. Mas não transforme a queixa em estilo de vida. Pessoas fortes não negam problemas, enfrentam-nos. Pessoas maduras não vivem apontando, vivem construindo. O vício de reclamar aprisiona. A responsabilidade liberta.
Portanto: reclamar pode aliviar por um instante. Porém o agir transforma para sempre.
Até a próxima.
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